Dona Iracema, minha mãe.
Dona Iracema, minha mãe
Como filho primogênito, nossa relação sempre teve um laço especial. Cresci sob o olhar de uma mãe que me via como “o cara”: imbatível, invencível e destinado ao sucesso. Suas expectativas eram altas e sua admiração, generosa — a ponto de transformar pequenas conquistas em grandes feitos. Um exemplo marcante foi a montagem fotográfica com Ronald Reagan, feita a partir de uma imagem do ex-presidente americano. Para ela, aquela foto se tornou a prova de uma visita à Casa Branca e de um encontro inesquecível com o presidente.
Dona Iracema era única. Sua cobrança em relação à família era constante e temida. Vinda dos filhos, qualquer coisa boa era apenas razoável; elogios eram reservados a ocasiões muito especiais. Mas essa exigência moldou nossa força, caráter e determinação. Foi uma presença firme e decisiva em nossas vidas.
Religiosa devota, equilibrava sua fé católica com crenças espíritas, enxergando a vontade de Deus em todos os acontecimentos. Do seu quarto, todas as noites, perguntava aos filhos se haviam rezado antes de dormir — um gesto simples, mas que nos lembrava diariamente da importância da fé.
Em 1967, quando a família se mudou de Irapuru para Presidente Prudente, eu segui outro caminho e vim para São Paulo, aos 20 anos. A adaptação foi difícil, marcada pela saudade e pela solidão. Nunca esqueço minha primeira visita de volta, durante a Semana Santa. Na hora do retorno, deixei Prudente com lágrimas nos olhos — era duro viver longe do lar, longe da presença calorosa da minha mãe.
Robinson
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